A Lindt & Spruengli reduziu nesta terça-feira (29) pela segunda vez no ano sua previsão de crescimento de vendas para 2026, citando o impacto das ondas de calor na Europa sobre a demanda por chocolate e o aumento dos preços do cacau. A fabricante suíça agora espera expansão orgânica de 0% a 2%, ante faixa anterior de 4% a 6%.
A nova projeção, divulgada em comunicado, fica abaixo do consenso de mercado de 3,9% citado pela Vontobel. A empresa já havia cortado a meta em março. As ações da Lindt caíam 6,6% no início do pregão, atingindo o menor preço desde março de 2021 e ficando na última posição do índice europeu STOXX 600.
“Um segundo corte em seis meses abala a reputação da Lindt de fornecer projeções confiáveis, um importante fator de sustentação para sua valorização premium”, afirmaram analistas da Vontobel em nota a investidores.
O presidente-executivo da Lindt, Adalbert Lechner, disse que os preços historicamente altos do cacau forçaram a empresa a aumentar substancialmente os preços, reduzindo a demanda em meio a um ambiente econômico incerto. Somente nos últimos seis meses, o cacau subiu cerca de 80%.
Lechner afirmou que o calor na Europa neste verão reduziu o crescimento em cerca de 1,5%. O clima de cautela levou a volumes de pedidos abaixo do esperado em certos mercados europeus, particularmente nos produtos sazonais da Lindt.
O alerta se soma a sinais de pressão em todo o setor. Em julho, a Barry Callebaut, fabricante suíça de chocolates e processadora de cacau, previu queda de 1% nos volumes de vendas anuais.
Apesar da previsão mais fraca, a Lindt manteve a projeção de aumento de 20 a 40 pontos-base na margem de lucro operacional para 2026 e reiterou metas de médio prazo de crescimento orgânico de 6% a 8% e melhorias anuais na margem de 20 a 40 pontos-base a partir de 2028.

