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Leitura: Loja A Torre Eiffel marcou varejo de luxo no Rio
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Loja A Torre Eiffel marcou varejo de luxo no Rio

Carla Fernandes
Última atualização: 4 de setembro de 2026 10:42
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

Fundada em 21 de dezembro de 1889, a loja A Torre Eiffel tornou-se um dos principais centros de moda masculina na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro. O estabelecimento, criado pelo comerciante cearense Francisco Portela, introduziu no mercado carioca a prática de preços fixos e a importação de mercadorias europeias.

A loja surgiu cinco semanas após a Proclamação da República, inspirada na inauguração do monumento homônimo em Paris. A firma Portella, Rabello & C. iniciou as atividades no número 77 da via, especializada em artigos para homens. Em 1891, a Companhia Torre Eiffel expandiu a operação ao adquirir a loja Aux 100.000 Paletots e ampliar o imóvel para o número 79.

O negócio fazia parte de um grupo familiar dominante no varejo da capital. Francisco Portela era irmão de Antônio Portela, fundador da Casa Colombo em 1893. A rivalidade entre as duas casas, ambas focadas no público masculino, gerava guerras de preços e liquidações que atraíam multidões, descritas na época como verdadeiras romarias.

A operação era robusta para o período. O prospecto de constituição da companhia previa capital entre 2 mil e 4 mil contos de réis, com projeções de vendas anuais de até 2 mil contos. O catálogo incluía roupas prontas, chapelaria, calçados, perfumaria e artigos de viagem, com contratação de pessoal vindo de casas europeias.

Em 1905, a loja inaugurou uma nova sede nos números 97 e 99 da Rua do Ouvidor, após a abertura da Avenida Central. O edifício, projetado pelo engenheiro C. Arno Gierth, possuía 325 metros quadrados de salão principal, colunas de ferro fundido, escadaria de mármore e gabinetes de prova em estilo Luís XV.

A nova estrutura contava com 58 empregados e era considerada um dos edifícios mais belos da capital. A fachada de 12,50 metros de largura e 18,50 metros de altura utilizava vitrines na altura dos olhos dos pedestres para seduzir os clientes do chamado beco do luxo.

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