O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endureceu o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) ao acusar o ministro André Mendonça de vazar informações de investigações. Em discursos realizados entre sábado e domingo, Lula afirmou que seu filho, Fábio Luis Lula da Silva, pagará um preço alto caso crimes sejam comprovados em apurações sobre fraudes no INSS.
Durante comício em Curitiba no sábado, o presidente relatou ter conversado com o presidente do STF, Edson Fachin, sobre a atuação de Mendonça. Lula disse a Fachin que não era possível que o juiz relator soltasse matérias selecionadas apenas conforme o próprio interesse.
O presidente mencionou a apuração sobre a relação de Fábio Luis Lula da Silva com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, pivô de esquema de descontos indevidos em aposentadorias. Lula declarou que o filho não será protegido e que a responsabilidade por erros vale para ele, para o filho e para qualquer ministro da Suprema Corte.
Lula citou ainda que uma empresa de capacetes de Flávio Bolsonaro divide endereço em Brasília com empresas de Antunes. O presidente afirmou que Flávio Bolsonaro é o candidato que nasceu na milícia e está envolvido em falcatruas, inclusive na Previdência Social.
As declarações ocorrem durante o agravamento de uma crise interna no STF envolvendo investigações sobre o Banco Master e o INSS. O conflito cresceu após a divulgação de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do banco, e a posterior publicação de um relatório da Polícia Federal (PF) que apontava condução parcial em relatorias.
Em transmissão do PT neste domingo, Lula repetiu que o governo anterior criou o banqueiro do Banco Master, enquanto sua gestão o prendeu. Ele reiterou que, se o filho estiver envolvido em crimes, a punição será rigorosa.

