O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira (17), um aumento no Bolsa Família que elevará as despesas em R$ 22 bilhões no próximo ano. A medida reforça a discussão interna na equipe econômica do governo sobre a necessidade de revisar programas sociais para evitar fraudes e a duplicidade de pagamentos.
O reajuste impacta a proposta orçamentária de 2027, forçando o governo a cortar gastos em outras áreas ou elevar a arrecadação. Atualmente, a margem para o cumprimento da meta de superávit do próximo ano, estimada em 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), é de R$ 10,1 bilhões.
Membros da equipe econômica avaliam que benefícios devem ser revistos para eliminar sobreposições, como ocorre quando um cidadão recebe auxílios federais e estaduais simultaneamente. Entre os programas citados nos debates internos estão o abono salarial e o seguro-defeso, destinado a pescadores.
Uma das propostas é a expansão do modelo de despesa com controle de fluxo, no qual os pagamentos cessam ao atingir o teto previsto no Orçamento. Há preocupação específica com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a idosos e pessoas com deficiência, que tem crescido via decisões judiciais e pode superar o volume de recursos do Bolsa Família.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a redução da quantidade de programas sociais para que eles atendam melhor a população. A posição de Durigan converge com a tese de consolidação de auxílios defendida anteriormente por Fernando Haddad, em fevereiro.
A estratégia fiscalista do ministro ocorre em período eleitoral, enquanto o presidente Lula mantém resistência a medidas de ajuste severas. O governo também articula outras frentes imediatas, como medidas ligadas a apostas esportivas e um novo programa de combate ao endividamento da população.


