O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar, nesta sexta-feira (25), em São Paulo, a assinatura de uma Medida Provisória (MP) que proíbe as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil. O texto prevê a interrupção de atividades como o “jogo do Tigrinho” e outras modalidades de cassinos virtuais.
A decisão ocorre após estudos sobre o impacto financeiro dos jogos nas famílias. Pesquisa do Sicredi, com 1,3 milhão de associados, indicou que a inadimplência de quem apostou online em 2025 foi 40% maior que a de quem não apostou. Outro levantamento do Insper, em parceria com a Stone, apontou alta de 20% na proporção de inadimplentes nos 12 meses após o início das apostas e redução de 16% no limite de crédito disponível.
O governo trabalha para mitigar o impacto financeiro nos clubes de futebol, que dependem dessas receitas. Em 2025, as casas de apostas representaram R$ 1,1 bilhão das receitas de marketing dos maiores clubes brasileiros, o equivalente a 34% do total de R$ 3,2 bilhões do setor. No faturamento geral das equipes, que superou R$ 15 bilhões no ano, as bets responderam por cerca de 8%.
São Paulo e Corinthians estão entre as equipes mais afetadas pela eventual perda de contratos. Para compensar a queda de receita, o Planalto discute a criação de linhas de crédito com condições favoráveis e a prorrogação de prazos de pagamento de dívidas dos clubes com a União e bancos públicos. O BNDES também pode oferecer financiamento para infraestrutura esportiva.
A MP produz efeitos imediatos após a publicação, mas depende de análise do Congresso Nacional para se tornar lei definitiva. Deputados e senadores poderão aprovar, modificar ou rejeitar o texto. A versão final da medida definirá os prazos de transição para as empresas que operam no país e as regras para o encerramento dos contratos comerciais vigentes.
Amir Somoggi, sócio-fundador da Sports Value, afirmou que o impacto inicial pode ser significativo devido à valorização dos patrocínios causada pelas bets. Segundo o especialista, a saída para as equipes será a diversificação das fontes de receita e a busca por anunciantes de outros segmentos.

