O presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscará se distanciar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a Polícia Federal revelar suspeitas de que o magistrado orientou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante uma crise na instituição financeira.
Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que, durante 13 dias, o banqueiro pediu a intervenção de Moraes para impedir a liquidação do banco e barrar o avanço de investigações. Nas conversas, o executivo questionava como deveria proceder para reverter a situação e sensibilizar autoridades.
Aliados do presidente afirmam que Lula evitará tratar do assunto publicamente para evitar desgaste em sua campanha pelo quarto mandato. A tendência é que o governo adote o argumento de que o STF é um poder independente. Levantamentos do Palácio do Planalto indicam que parte da opinião pública vincula as ações da Corte ao governo.
Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) criticaram Moraes nesta terça-feira (1º). Zema afirmou que o ministro merece cadeia, enquanto Flávio declarou que o magistrado não tem condições de continuar no cargo. Cury defendeu o fim da vitaliciedade dos mandatos no Supremo.
Lula e Moraes mantêm relação amistosa, embora tenham tido um afastamento em abril, após a derrota de Jorge Messias para uma vaga no STF. Recentemente, o ministro intermediou a reaproximação do presidente com Davi Alcolumbre (União-AP) em um jantar ocorrido no dia 4 de agosto.
Em entrevista anterior, Lula relatou ter dito a Moraes para não jogar sua biografia fora devido ao caso Vorcaro. Segundo interlocutores, o ministro não teria gostado que a conversa fosse tornada pública. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) não se manifestaram até o final da tarde desta terça-feira.

