O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou, nesta quarta-feira (16), o vício em apostas esportivas de cota fixa, as chamadas bets, à dependência de drogas como o crack. Em entrevista gravada no Palácio da Alvorada, Lula afirmou ter disposição pessoal para extinguir a modalidade, embora tenha dito que a decisão depende de ouvir a sociedade.
O presidente declarou que a ludopatia é uma doença e relatou a conversa com um jogador que acumulou uma dívida de R$ 2,2 milhões, vendendo carro, loja e o terreno do pai para apostar. Lula comparou o cenário atual ao surgimento do crack no Brasil entre o fim da década de 1980 e o início da de 1990, quando dependentes vendiam bens domésticos para sustentar o vício.
As declarações ocorreram enquanto o presidente cobrava do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a tramitação da proposta de fim da escala de trabalho 6×1. Lula defendeu a obrigatoriedade de um dia extra de descanso para atividades como leitura e cuidados com os filhos, afirmando que tal tempo não deve ser usado para jogar em plataformas de apostas.
Segundo o presidente, as bets representam uma desgraça para o país, afetando principalmente a população pobre. Ele informou que já realizou três reuniões no governo e encontros com a sociedade para discutir a questão, ressaltando que a jogatina não é criada para enriquecer os apostadores.
Dados da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros indicam que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas esportivas em 2025. O estudo, elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, utilizou informações do Banco Central.
No mesmo período, que corresponde ao primeiro ano de vigência da regulamentação, as plataformas do setor movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix, conforme as Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica.


