O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira (28) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode não participar do debate da TV Globo na quinta-feira (1º) se o formato não permitir confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL). Em entrevista à TMC, o dirigente disse que Lula quer o embate, mas depende das regras.
Segundo Edinho, Lula tem interesse em participar do encontro e quer usar o debate para contrapor suas propostas às do adversário. “O presidente Lula quer muito confrontar o Flávio Bolsonaro. É o que ele mais quer”, declarou. Flávio confirmou no domingo (27) que estará presente.
O dirigente petista afirmou que um modelo no qual Lula tenha de esperar a participação dos demais candidatos antes de voltar a fazer perguntas dificultaria a estratégia da campanha. “Se for um modelo de debate onde o presidente Lula faz uma pergunta e fica meia hora esperando para fazer a segunda, evidente que esse confronto de ideias não vai acontecer”, disse.
Edinho disse que, caso o formato não possibilite esse tipo de interação, Lula poderá optar por não comparecer. “Ele fazer uma pergunta e ficar 20 minutos, meia hora esperando todo mundo falar para depois ele fazer outra pergunta. Se for esse modelo, evidente que o presidente Lula não irá ao debate e vai ficar aguardando o 2º turno”, declarou. A declaração considera a hipótese de Lula e Flávio avançarem ao 2º turno, mas o presidente do PT não afirmou que a ausência já esteja decidida.
Edinho também indicou quais temas o PT pretende explorar em um eventual confronto direto. Citou segurança pública, a atuação do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19 e a relação do candidato do PL com os Estados Unidos. O dirigente relacionou ainda Flávio a milicianos do Rio e disse que o candidato teria de responder sobre o tema, além de explicar posições sobre minerais críticos e Pix.
Na mesma entrevista, Edinho afirmou que a estratégia do PT na última semana antes do 1º turno será intensificar a comparação entre Lula e Flávio. O presidente do PT reconheceu que o governo precisa fazer mudanças, citando “correção de rotas”, melhora na qualidade do gasto público e reformas no governo e no modelo de Estado.
Questionado sobre as pesquisas eleitorais, Edinho relacionou o momento da disputa à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. “A crise envolvendo a Suprema Corte brasileira é efetivamente talvez a maior crise institucional das últimas décadas”, afirmou, classificando como “legítimo” o sentimento de mudança e defendendo que Lula pode se apresentar como representante dessas mudanças.

