O presidente Luiz Inácio Lula da Silva melhorou na intenção de voto e na avaliação de governo, mas o avanço é considerado modesto diante do volume de medidas anunciadas nas últimas duas semanas e dos reveses enfrentados pelo principal adversário, segundo pesquisa Quaest encomendada pelo GLOBO e divulgada nesta segunda-feira (28).
O levantamento indica que Lula conseguiu se reconectar com um eleitorado mais cativo, como a população com renda de até dois salários mínimos e o público feminino, aumentando a distância para Flávio Bolsonaro acima da margem de erro.
No período, o governo adotou medidas como o reajuste de 15% do Bolsa Família, a proibição das bets e a publicação de um novo Desenrola, com a compra de dívidas das pessoas a partir de novembro. Ações ajudaram o Planalto a retomar o controle da pauta e reduzir a exposição negativa.
A campanha de Lula também foi beneficiada por dois reveses de Flávio. O primeiro foi a volta do senador ao noticiário policial com o caso Dark Horse, sua investigação no STF e a dificuldade de apresentar explicações críveis. O segundo foi a notícia falsa sobre a Nossa Senhora, que obrigou o adversário a ir para a defensiva e negar intenção de retirar o título de Padroeira do Brasil.
Nesse cenário, a Quaest mostra alta de Lula entre católicos e também entre evangélicos, o que, segundo o levantamento, indica que a análise desse grupo não é trivial.
Apesar do ganho de terreno, a vantagem de Lula ainda não parece substancial. Caiu de 55% para 52% o total de respondentes que acredita na vitória do presidente, enquanto subiu de 30% para 32% os que veem Flávio vencedor.
Conversas com pessoas ligadas às campanhas reforçam essa leitura. No petismo, há alívio e maior otimismo, mas com continuidade de preocupação. No bolsonarismo, parte vê na pouca dianteira de Lula, mesmo após as medidas do governo, um reforço na aposta de vitória.

