O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado (12), ter conversado com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre vazamentos de inquéritos. Durante comício em Curitiba, o petista criticou a divulgação de trechos selecionados de processos envolvendo o Banco Master e defendeu a queda de todos os sigilos do caso.
Lula declarou que não é possível que o juiz relator libere apenas matérias pinçadas que interessassem a ele. O presidente informou ter solicitado a liberação de todo o processo. O comentário ocorre após o ministro André Mendonça retirar, na sexta-feira (11), o sigilo de novos processos ligados às investigações do Banco Master.
Entre os autos liberados está o inquérito sobre o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal apura a captação de recursos para a obra, apontando Flávio Bolsonaro como elo com Daniel Vorcaro e indicando que o dinheiro foi administrado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A decisão de Mendonça atendeu a um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), que solicitou a abertura de todo o processo. O ministro incluiu 21 processos adicionais por conta própria. A PGR argumentou que a lista liberada anteriormente, na quinta-feira (10), omitia procedimentos centrais da Compliance Zero, o que distorceria a transparência.
Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin também fizeram pedidos semelhantes a Fachin. O sigilo foi retirado de processos que envolvem o senador Ciro Nogueira, sobre atuação no Congresso em favor do banco, e Jaques Wagner. Também foi liberada a investigação sobre uma transferência de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência para o Banco Master, envolvendo Cláudio Castro.
Mais cedo, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que o relator envie, em 24 horas, a íntegra dos autos da operação Compliance Zero e da petição 15.556 à Presidência da Corte e aos gabinetes de todos os ministros.

