O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a defender a implementação de mandatos com prazo definido para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança de posicionamento, decidida pela cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT), ocorre a 21 dias das eleições, após pesquisas de intenção de voto indicarem empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista ao SBT, Lula afirmou que é necessária uma reforma do Judiciário para alterar o critério de permanência dos magistrados na Suprema Corte. “Precisamos discutir um mandato para o STF. Ninguém pode ficar 40 anos no cargo”, disse o presidente, referindo-se ao modelo atual de cargos vitalícios. Ele não especificou a duração do mandato.
A decisão foi tomada em reunião de emergência da Executiva Nacional do PT com coordenadores de campanha. O grupo avaliou que o presidente corre risco de derrota se não houver alteração na linha política. Levantamento da AtlasIntel, divulgado na quinta-feira (10), simulou um segundo turno com 46,4% dos votos para Flávio Bolsonaro e 46,2% para Lula.
A Executiva do PT aprovou resolução que defende mandatos para Cortes Superiores, a criação de códigos de ética e a aplicação de tipos penais mais rigorosos para crimes de corrupção, peculato e tráfico de influência no Judiciário. O partido também defende o fim de privilégios e supersalários na categoria. Segundo o presidente do PT, Edinho Silva, a campanha deve ser alinhada à realidade atual.
A nova estratégia prevê o enfrentamento ao ministro André Mendonça. Interlocutores do governo afirmam que Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro em 2021, mantém reuniões semanais com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. O ministro e o senador não se manifestaram. A cúpula petista decidiu que os ataques a Mendonça serão feitos por dirigentes e militantes, para evitar que Lula seja associado ao ministro Alexandre de Moraes.
Além da reforma judiciária, Lula deve apresentar propostas com apelo popular, incluindo o fim das apostas digitais (bets). O governo possui dados que ligam o endividamento das famílias a esses jogos de azar e prepara uma medida drástica, que pode ocorrer via Medida Provisória. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que haverá uma radicalização política na campanha.

