O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (24), em Nova Iguaçu (RJ), que os benefícios do governo devem ser destinados ao povo e não a aliados, citando nominalmente o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em um evento sobre a modernização da Rodovia Presidente Dutra.
Durante o discurso, Lula criticou a cultura de governar em benefício de parceiros políticos e defendeu que investimentos federais sejam realizados inclusive em municípios comandados por adversários. O presidente classificou a agenda como um ato institucional, negando caráter de campanha eleitoral, e mencionou aportes bilionários em infraestrutura no estado do Rio de Janeiro.
As declarações ocorrem um dia após a defesa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) protocolar no Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra o chefe do Executivo. O documento, encaminhado ao ministro André Mendonça, pede a abertura de investigação por suposta corrupção passiva e advocacia administrativa no chamado caso Master.
A petição se baseia em mensagens do celular de Vorcaro, extraídas pela Polícia Federal. Em um dos diálogos de janeiro de 2025, o advogado Walfrido Warde relata que Lula teria agradecido por um uísque dado pelo ex-banqueiro. O contato teria ocorrido um mês após reunião entre os dois no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024.
Os advogados de Flávio Bolsonaro sustentam que o recebimento do presente pode configurar vantagem indevida. A defesa pede que o STF apure se houve contrapartida ou se o cargo da Presidência foi utilizado para favorecer interesses privados de Vorcaro e do Banco Master junto ao governo federal.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) afirmou que Lula não recebeu presentes de Vorcaro e desconhece qualquer articulação de Warde. A pasta informou que o presidente não teve outros contatos com o ex-banqueiro além do encontro realizado em dezembro de 2024.

