O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (30) que não existe paradigma no mundo de o Congresso ficar com 50% do Orçamento da União. A declaração foi dada em entrevista a influenciadores, na qual também defendeu uma reforma política profunda em caso de reeleição.
“É o governo que tem que executar o Orçamento e estabelecer as políticas públicas. O dinheiro vai para as mãos dos deputados para quê? Para ele fazer as emendas de interesse dele e de interesses eleitorais? Cria uma distorção política muito grande”, disse.
Lula citou o valor que cada deputado recebe por ano em emendas. “Como o deputado que recebe R$ 60 ou R$ 70 milhões por ano vai disputar as eleições com uma pessoa que sai do movimento social e que não tem nada?”, questionou.
Na entrevista, o presidente também afirmou que “o presidencialismo foi sequestrado” durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “O governo definia a política pública e as agências regulavam. No governo Bolsonaro, o Congresso tomou conta das agências. Hoje, tem muita gente nas agências que são representantes de empresários indicados por senadores”, declarou.
O petista disse que defenderá, caso seja reeleito para o 4º mandato, uma “profunda” reforma política. Ele se declarou “taxativamente” contra o fundo partidário e o fundo eleitoral por acreditar que os recursos levam partidos à “promiscuidade”.
Apesar disso, Lula afirmou que dependerá do Congresso e que uma reforma não será possível se uma maioria “anti-reforma” for eleita.

