O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (10), que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, agiu corretamente ao tomar medidas para conter a crise institucional na Corte. Em entrevista ao SBT, Lula defendeu a necessidade de um processo de apuração transparente para recuperar o prestígio da instituição.
Lula referiu-se às decisões tomadas na quarta-feira (9), que revogaram a designação do ministro Alexandre de Moraes para conduzir o inquérito das fake news. O presidente da Corte também suspendeu decisões de André Mendonça e Flávio Dino, o que garantiu a permanência de Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF).
O presidente manifestou apoio à abertura de sigilos em investigações ligadas ao INSS e ao Banco Master, criticando a ocorrência de vazamentos seletivos. Sobre a corrida eleitoral, Lula disse que uma apuração conduzida pelo STF não deveria impactar o processo, devendo ser vista como algo natural.
A crise na Corte começou no dia 1º de setembro, quando André Mendonça tornou público um relatório da PF. O documento indicava conversas entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e Alexandre de Moraes, mencionando contratos milionários com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Em resposta, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório, alegando que Mendonça atropelou as investigações. No dia 3 de setembro, Moraes solicitou a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, citando um relatório de inteligência que acusaria o colega de direcionar a PF contra adversários.
Na sexta-feira (4), Fachin unificou os pedidos em uma petição única sob a condução da presidência e solicitou esclarecimentos de Mendonça, Moraes, Gonet e Rodrigues. O conflito escalou na terça-feira (8), quando Mendonça afastou cautelarmente o chefe da PF por ilegalidades no relatório de inteligência, decisão posteriormente revertida por Flávio Dino e mantida por Fachin.
O plenário do STF julgará, no dia 15 de setembro, em sessão aberta, se abre a investigação contra Alexandre de Moraes.

