O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na segunda-feira (28) que mulheres aprendem a “tomar toque desde pequenas” ao comparar a realização de exames femininos à resistência de homens ao exame de próstata. A declaração, dada em comício em Belém (PA), contrasta com a recomendação oficial do Ministério da Saúde, que indica rastreamento do câncer do colo do útero dos 25 aos 64 anos.
“Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeitos”, declarou Lula durante o evento.
No caso do exame preventivo para o câncer do colo do útero, a orientação do Ministério da Saúde é que o rastreamento seja oferecido dos 25 aos 64 anos para mulheres e outras pessoas com colo do útero que já tiveram atividade sexual. Segundo a pasta e o Inca (Instituto Nacional de Câncer), isso não impede que exames ou atendimento ginecológico sejam realizados antes dessa idade em caso de sintomas ou fatores de risco.
Pessoas com HIV ou imunossupressão, por exemplo, devem iniciar o rastreamento depois do início da atividade sexual, sem esperar os 25 anos. A faixa etária foi adotada porque concentra maior ocorrência de lesões de alto grau que podem ser tratadas antes de evoluírem para câncer.
Em 2025, o Ministério da Saúde aprovou novas diretrizes para o rastreamento do câncer do colo do útero. O teste molecular de DNA-HPV oncogênico passou a ser o exame primário no país, com repetição a cada cinco anos quando o resultado é negativo. O Papanicolau continua sendo usado onde o teste ainda não está disponível.
As diretrizes foram elaboradas com participação de 81 profissionais de 37 instituições, entre universidades, hospitais, fundações e sociedades de especialistas, além de representantes do Ministério da Saúde e da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde). A Febrasgo participou como consultora.
Em nota, o PT afirmou que Lula “obviamente se referiu a exames ginecológicos preventivos que, culturalmente, fazem parte da rotina da saúde da mulher, desde jovem”. O partido disse ainda que a repercussão seria uma tentativa do “campo bolsonarista” de “deturpar” a fala do presidente, relacionando o episódio a acusações contra Flávio Bolsonaro.


