O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (28), em comício em Belém, que Nossa Senhora Aparecida “não será avacalhada” e atacou o pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, por relações com Daniel Vorcaro, do Banco Master. A fala ocorre em meio à crise que envolve Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a padroeira.
—Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive a religião de matriz africana. É preciso. Ninguém é dono da verdade, a única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha, daquele pastor chamado Valadão, que era sócio do Vorcaro— disse Lula.
A declaração foi impulsionada nas redes sociais após um debate sobre um projeto de lei arquivado há quase 20 anos que tinha o objetivo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Ao final do comício, o ex-governador Helder Barbalho (MDB), candidato ao Senado, presenteou Lula com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré.
A primeira-dama, Rosangela da Silva, a Janja, também fez menção à crise que tem desgastado Flávio Bolsonaro. —Eles se dizem enviados de Deus, mas vivem às custas da fé das outras pessoas. Fé é coisa séria e tem que ser respeitada, qualquer religião (…) E que o manto de Nossa Senhora nos proteja de falsos adoradores de Deus, de falsos profetas da fé— afirmou.
Lula voltou a defender a soberania brasileira e disse que o presidente americano, Donald Trump, não deve interferir nas eleições de outubro. —Temos que dizer ao presidente Trump: não se meta nas eleições do Brasil, esse país tem dono e se chama povo brasileiro, que é o dono da democracia. E aqui nem chinês, nem americano, nem inglês, nem japonês mete o dedo— declarou.
O petista citou a exploração das terras raras e criticou Vorcaro, afirmando que foi o seu governo que transformou o “banqueiro deles em prisioneiro”. No ato, discursaram três candidatos ao Senado: Helder Barbalho, Chicão (União Brasil) e Celso Sabino (PDT). Pesquisa Quaest divulgada no dia 26 mostrou Helder com 25%, seguido de Delegado Éder Mauro (PL) e Chicão, ambos com 15%.
Lula cobrou unidade dos candidatos e disse que o Pará “não pode eleger um bolsonarista para ser senador”. Ele citou o caso do Rio Grande do Norte, quando a falta de união teria contribuído para a eleição de Rogério Marinho (PL-RN). Sabino deixou o governo após ultimato do União Brasil e se filiou ao PDT. Helder afirmou que brigas no campo aliado podem favorecer adversários.

