O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (16), que utilizava a referência ao “sangue de Cristo” para justificar a cor vermelha da bandeira do PT quando era questionado sobre os símbolos do partido. A declaração ocorreu durante encontro com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e convidados dos Estados Unidos e de Cuba, no Palácio do Planalto.
Lula relatou que também explicava a estrela da bandeira comparando-a aos guias utilizados por navegadores e justificava sua barba afirmando que Jesus Cristo também era barbudo. O evento, que durou cerca de 25 minutos, não teve transmissão ao vivo nem a presença de jornalistas, sendo as falas distribuídas posteriormente pela Secretaria de Comunicação Social (Secom).
O presidente criticou o celibato na Igreja Católica, afirmando que a instituição terá dificuldades enquanto não permitir que mulheres sejam padres e bispos. Lula contrastou a situação com a Igreja Evangélica, onde disse que as mulheres são tratadas em igualdade de condições e podem ocupar qualquer posição.
Sobre a relação entre fé e política, o presidente declarou que considera a religião algo sagrado e que não aceita convites para realizar comícios em igrejas, preferindo fazer política nas ruas. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também falou no evento, afirmando que a mensagem de Cristo é de amor e compaixão, e não de tomada de governo.
A reunião contou com a presença da primeira-dama Janja Lula da Silva, da senadora Eliziane Gama (PT-MA) e de pastores como Ariovaldo Ramos e Bronson L.A. Woods, de Atlanta. Ramos afirmou que o grupo evangélico é diverso e que o presidente possui amigos no segmento.
O encontro integra a estratégia de aproximação com o eleitorado evangélico, setor onde o PT enfrenta resistência. Segundo levantamento do PoderData/Aya realizado entre 9 e 12 de agosto, 62% dos evangélicos desaprovam a gestão de Lula. O presidente informou que levará temas como desigualdade e guerras ao discurso na Assembleia Geral da ONU, no dia 23 de setembro.


