As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro preparam medidas para estabilizar a dívida pública, que atingiu 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Embora os candidatos evitem detalhar ações impopulares em público, as equipes buscam caminhos distintos para reduzir os juros e controlar as contas federais.
O time de Lula defende o gradualismo para manter políticas de assistência social. O compromisso sinalizado na Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê a melhoria do resultado primário até atingir um superávit de 1,3% do PIB em 2030, superando o déficit de 0,4% projetado para este ano. A trajetória exige um ajuste de cerca de 1,7% do PIB até o fim do próximo mandato.
Nos bastidores, a equipe do presidente avalia apertar o arcabouço fiscal, com a redução do limite de crescimento real de gastos e mudanças nos pisos de saúde e educação. Estão em estudo a fusão de programas sociais, a contenção de gastos com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a eliminação de novos benefícios tributários, além de cortes lineares de incentivos fiscais.
Já a campanha de Flávio Bolsonaro propõe um ajuste de aproximadamente 1,5% do PIB nos primeiros 18 meses de mandato. O senador pretende aprovar ainda este ano uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabeleça a relação dívida bruta/PIB como âncora dos gastos. Um assessor do candidato sugeriu o congelamento de despesas caso a dívida supere 65% do PIB.
O plano do senador inclui a venda de ativos da União, privatizações e a reversão de impostos elevados no atual governo, como o IOF. Flávio defende o corte de supersalários no serviço público e a interrupção da reposição de cargos após aposentadorias, embora não tenha detalhado quais incentivos tributários seriam cortados.
Ambos os lados evitam, no entanto, apresentar reformas estruturais que reduzam as despesas obrigatórias ou medidas diretas sobre indexações orçamentárias que impactem benefícios previdenciários e sociais.

