A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se tema central nas campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Enquanto o presidente defende a quebra de sigilo do Caso Master e a investigação de ministros, o senador critica a atuação de Alexandre de Moraes, mas defende a preservação da instituição.
Lula elevou gradualmente o tom sobre as suspeitas de envolvimento de agentes públicos no Caso Master. Em mensagem nas redes sociais no dia 9 de setembro, o presidente defendeu a “quebra completa” do sigilo das investigações, classificando o episódio como o maior crime financeiro da história do Brasil. O pedido ocorreu após o ministro André Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, medida posteriormente suspensa pelo ministro Flávio Dino.
Em entrevista ao SBT na última quinta-feira, Lula afirmou que ministros da Corte devem ser investigados caso haja suspeita de irregularidade. O presidente manifestou-se favorável a uma reforma do Judiciário com a adoção de mandatos para os magistrados do Supremo. Lula também declarou que ministros não podem manter escritórios de advocacia enquanto atuam na Corte, referindo-se ao contrato de R$ 130 milhões firmado entre o escritório da esposa de Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Flávio Bolsonaro direcionou críticas a Flávio Dino, acusando-o de interferir em processo judicial ao anular a decisão de Mendonça. O senador também atacou Alexandre de Moraes, chamando-o de “laranja podre” durante ato em 7 de setembro na Avenida Paulista. Segundo o político, a estratégia é isolar a conduta de Moraes para proteger o STF como instituição.
O senador elogiou a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de retirar do inquérito das “fake news” o pedido de investigação contra André Mendonça. Em agenda em Manaus, na última sexta-feira, Flávio defendeu a decisão de Mendonça de autorizar investigação contra o próprio senador por suspeitas ligadas ao financiamento do filme “Dark Horse”.
Nesta terça-feira (15), os ministros do STF realizam sessão plenária presencial para analisar relatório da Polícia Federal que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.


