Na última semana antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, o presidente Lula e o candidato Flávio Bolsonaro (PL) intensificam estratégias para atrair eleitores indecisos, com o petista usando a máquina pública e o adversário o acusando de estelionato eleitoral. A disputa é marcada pela crise do Master, guerra no STF e desalento do eleitorado.
O foco de ambas as campanhas será o Sudeste, considerado definidor na disputa. Com o anúncio do aumento do Bolsa Família e a proibição das bets, Lula entra na reta final com a máquina pública atuando a todo vapor em consonância com os interesses do PT.
Os novos valores do Bolsa Família começam a ser pagos em 19 de outubro, a uma semana do segundo turno. Segundo integrantes da campanha do PL, a medida interrompeu o crescimento de Flávio nos trackings, mas ele segue estabilizado num alto patamar.
Na semana passada, o presidente lançou mão da proibição total de bets no país, algo que já defendia há meses em reservado, mas tinha resistência da Fazenda. Falaram mais alto os índices de pesquisa que apontavam que cerca de 75% da população é favorável à medida, segundo levantamento da Atlas/Bloomberg. O Desenrola 3 completa esse movimento, com renegociação de débitos e mudanças nas condições de crédito.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, chama Lula de “pai do Tigrinho” e classifica as medidas como estelionato eleitoral, sem entrar no mérito delas. Ele também acusou integrantes da CNBB de atuar junto com petistas para espalhar desinformação, especialmente sobre uma suposta intenção de tirar Nossa Senhora de Aparecida da condição de padroeira do Brasil, o que a campanha classifica como fake news.
“O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente, essa é a realidade”, disse Flávio. Em nota, a CNBB afirmou que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”. “Mentira não se combate com outra mentira”, completa o texto.
A presença dos dois candidatos é incerta no último debate eleitoral antes do primeiro turno, marcado para quinta-feira (1º), na Globo. A emissora restringiu os convites a apenas quatro candidatos: Lula, Flávio, Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD). O presidenciável do Missão, Renan Santos, protestou, afirmando que o recorte “reduz o espaço para novas forças políticas”.
Faltando 10 dias para o primeiro turno, Lula ainda não tinha visitado 14 das 27 unidades da Federação. Metade dos eventos eleitorais ficou concentrada na região Sudeste. Nesta segunda-feira (28), o presidente visita Manaus e Belém. Amanhã (29) passará por Fortaleza e Feira de Santana (BA). Na sexta (2), vai a Belo Horizonte e Rio de Janeiro, e encerra a campanha em São Paulo, no sábado (3).


