O presidente Luiz Inácio Lula da Silva interrompeu, nesta sexta-feira (11), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, durante reunião em Canoas. O episódio ocorreu após Leite comparar a complexidade das obras de drenagem no estado com a transposição do rio São Francisco, no Nordeste.
Lula visitou a cidade para tratar do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos. Na ocasião, o presidente questionou a demora na utilização de R$ 6,5 bilhões destinados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para prevenção de desastres naturais e drenagem.
Ao explicar a dimensão dos projetos, Leite citou que a transposição do São Francisco levou 12 anos entre a contratação e as primeiras entregas funcionais. Lula rebateu a analogia, afirmando que não queria a comparação e detalhando que a obra no Nordeste começou com 470 quilômetros e hoje soma 1.400 quilômetros, além de 15 mil quilômetros de adutoras.
O governador insistiu na comparação, citando também a BR 116, obra iniciada no final do mandato anterior de Lula com promessa de conclusão em 2014, que segue inacabada. Leite afirmou que as referências servem para atribuir a dimensão correta a cada projeto.
O presidente declarou que a preocupação do governo é identificar se a demora na execução ocorreu na elaboração dos projetos, na Caixa Econômica Federal ou na decisão governamental. Lula afirmou que o governo não pode liberar verbas sem a existência de projetos estruturados.
Durante a agenda, Lula assinou o termo de transferência de R$ 1,5 bilhão para a prefeitura de Canoas, valor integrante dos R$ 6,5 bilhões do Novo PAC. O montante será aplicado em obras de drenagem.
O presidente defendeu a necessidade de concluir obras dentro do próprio mandato. Segundo Lula, é comum no Brasil que novos governantes interrompam projetos de antecessores, o que coloca em risco a entrega de infraestruturas essenciais.


