O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou de 37% para 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi de 33% para 34%, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28). A distância entre os dois passou de quatro para cinco pontos. Num eventual segundo turno, os dois aparecem empatados numericamente, com 42%.
O entorno do petista atribui a oscilação positiva às medidas anunciadas pelo governo nos últimos dias, como o reajuste no Bolsa Família, a distribuição de canetas emagrecedoras no SUS e o fim das bets no país. A avaliação é que essas medidas atingem público que Lula vinha perdendo nos levantamentos do começo do mês, como beneficiários do Bolsa Família e mulheres, e se aproxima dos chamados indecisos.
A campanha calcula que foram oito dias de pautas positivas para Lula, em meio à crise com a padroeira Nossa Senhora Aparecida e à revelação de que Flávio viajou no avião do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no começo de 2025. Um governista diz que essa onda de notícias positivas “estancou” o crescimento de Flávio e dá o tom para uma reta final com a equipe de Lula motivada e a do senador, na defensiva.
Do lado de Flávio, auxiliares minimizam o impacto eleitoral dos anúncios e argumentam que o presidente não conseguiu abrir vantagem numérica no segundo turno. A equipe do senador pretende intensificar o apelo pelo voto útil entre eleitores de outras candidaturas de direita e buscar quem ainda não consolidou a escolha.
Na pergunta espontânea, 31% ainda não sabem em quem votar. Lula é citado por 31% e Flávio, por 27%. Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) aparecem com 4% cada, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 1%. Juntos, somam 12% no cenário estimulado, reserva de votos vista pela campanha do senador.
O principal sinal de alerta identificado pelo entorno de Flávio está no eleitorado católico, após a repercussão da informação falsa de que o candidato atuaria para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. No segundo turno, Lula passou de 46% para 50% nesse segmento em uma semana, enquanto Flávio permaneceu em 37%. A distância aumentou de nove para 13 pontos.
Entre evangélicos, Flávio preserva vantagem: 54%, ante 30% de Lula. Entre os que se identificam como de direita, mas não bolsonaristas, marca 85%, contra 7% do presidente. Já entre os independentes, os dois têm 36%. O secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, afirma que a expectativa é de que Lula siga crescendo até o primeiro turno.

