O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou, nesta quarta-feira (16), que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, impeça que a crise provocada pelo caso Master interfira no processo eleitoral. A declaração ocorre em um momento de avanço de Flávio Bolsonaro (PL) em pesquisas eleitorais.
Durante entrevista ao programa Desce a Letra Show, no YouTube, Lula defendeu a apuração rigorosa das suspeitas e afirmou que Fachin tem a responsabilidade de não permitir que o episódio atrapalhe as eleições. O pronunciamento aconteceu um dia após sessão no Supremo sobre pedidos de investigação envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, interrompida por pedido de vista de Flávio Dino.
O presidente chamou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, de “mafioso” e disse que ele “envolveu todo mundo”. Lula afirmou que a situação não é boa para a Corte e que as investigações devem identificar a responsabilidade de cada pessoa citada, comparando a situação a uma “orgia pura” que precisa ser exposta para limpar o país.
Embora defenda a apuração, o presidente criticou o “denuncismo”, termo usado para descrever a exposição de acusações sem a conclusão das investigações. Segundo Lula, essa prática prejudica a imagem das instituições, ressaltando que ninguém está acima da lei.
Lula também manifestou indignação com a sessão realizada na terça-feira (15), na qual houve embates entre ministros e exposição da divisão interna do tribunal. Ele afirmou que a sociedade brasileira não merece assistir a esse tipo de debate televisivo.
O presidente declarou ainda a intenção de promover uma discussão sobre a reforma do Poder Judiciário em um eventual novo mandato. Lula não detalhou quais alterações seriam propostas ou o cronograma para o início do debate.


