A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva propõe transformar o Sistema Único de Saúde (SUS) em um sistema inteligente e conectado por meio de investimentos em tecnologia da informação e qualificação de gestores. As metas foram apresentadas por Nilton Pereira Junior, diretor da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, em evento em São Paulo nesta quinta-feira (24).
Pereira Junior afirmou que a digitalização do sistema, via SUS Digital, é prioridade para melhorar a fiscalização e reduzir o desperdício de recursos públicos. Na área de atenção primária, a proposta é garantir que entre 80% e 90% da população brasileira tenha uma equipe de saúde da família próxima de casa. Segundo o representante, o orçamento federal para esse setor cresceu 70% entre 2023 e 2026, comparado ao valor de 2022.
No eixo da indústria, a candidatura defende que a participação da produção nacional no abastecimento do SUS suba de 40% para 70%. Atualmente, 60% dos insumos são importados. O governo aposta nas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), que somam 31 acordos com instituições como Fiocruz, Instituto Butantan, Bio-Manguinhos e Hemobrás. A retomada da produção de insulina glargina no país foi citada como exemplo.
O plano prevê ainda o fortalecimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com a implementação de inteligência artificial na análise de processos. Na pesquisa clínica, o Brasil subiu da 18ª para a 12ª posição no ranking mundial entre 2022 e 2026, com avanço de 30%. A meta do próximo governo é inserir o país entre os 10 primeiros colocados.
Sobre a judicialização, a campanha defende a incorporação responsável de medicamentos para reduzir a pressão sobre o Judiciário, citando o acordo para o medicamento Zolgensma, que custa R$ 7 milhões por dose. Na parte tributária, a proposta é manter isenções de CBS e IBS para remédios do SUS destinados ao tratamento de câncer, doenças raras e HIV/Aids.
Para os primeiros 100 dias de mandato, o representante elencou três prioridades: a instalação de centros oncológicos completos em todas as macrorregiões de saúde para reduzir filas, a ampliação de maternidades e centros da mulher, e a expansão de compras públicas de equipamentos como tomógrafos e ressonâncias magnéticas.

