O presidente Lula (PT) disse ontem à cúpula de sua campanha que não pretende participar do debate da TV Globo, marcado para quinta-feira (1º/10), três dias antes do primeiro turno. Uma ala da campanha, porém, ainda tenta convencê-lo a mudar de ideia, e nova rodada de conversas nesta terça-feira (29/9) deve bater o martelo.
Lula tem argumentado nas conversas que, no formato atual dos debates presidenciais, seria alvo de todos os adversários e teria pouco tempo para responder. Também considera que os encontros dão margem excessiva a ataques pessoais e à produção de cortes para as redes sociais, enquanto oferecem pouco espaço para discussão aprofundada de propostas.
O presidente do PT, Edinho Silva, vocalizou parte desse raciocínio nesta segunda-feira (28/9), mas seus argumentos reproduzem a avaliação feita pelo próprio Lula nas conversas internas.
A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de comparecer tornou a escolha mais difícil. Se for, Lula sabe que entrará no estúdio como alvo preferencial dos adversários. Além de Flávio, estarão presentes Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) — ambos tidos como possíveis ministeriáveis de Flávio. Com chances quase zeradas de avançar ao segundo turno, dificilmente a dupla partirá para o ataque contra o filho de Jair Bolsonaro.
Se Lula faltar, deixará o campo aberto para ataques e terá sua ausência exposta diante da audiência da maior emissora do país. Em 2022, o último debate da Globo antes do primeiro turno alcançou cerca de 50 milhões de pessoas. O grupo liderado por Sidônio Palmeira, ministro da Secom, pensa que o prejuízo eleitoral da cadeira vazia pode ser enorme. Outra ala avalia que o custo da ausência tende a ser limitado e que o risco maior está no palco.
Lula chega à reta final em momento mais favorável da campanha, depois de uma sequência de fatos que o Planalto considera positivos: o aumento do Bolsa Família, o fim das bets e o anúncio do Desenrola 3.0, além da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, que colocou Flávio na defensiva. Para parte dos auxiliares, é justamente quando o presidente recupera terreno que faria menos sentido submetê-lo a um evento de alto risco.
Se Lula mantiver a decisão de faltar, a campanha discute um plano B: colocar o presidente, no mesmo horário, em um podcast de grande audiência. A escolha do programa ainda estava em discussão nesta segunda-feira. O martelo deve ser batido nesta terça, depois de nova conversa com o núcleo da campanha. Ninguém descarta uma mudança até quinta-feira, a depender do ambiente eleitoral.


