Cerca de 98% das brasileiras adotam estratégias para reduzir riscos de violência no cotidiano, segundo a pesquisa “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre violência”, divulgada nesta quarta-feira (16). O estudo, realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, indica que a insegurança afeta a mobilidade, o lazer e as escolhas profissionais das mulheres.
O levantamento aponta que 94% das mulheres se sentem inseguras no dia a dia, índice superior aos 84% registrados entre os homens. A violência doméstica é temida por seis em cada dez entrevistadas. Entre as medidas preventivas mais comuns estão evitar determinados locais (90%), não compartilhar a localização em redes sociais (88%) e evitar o uso de celular na rua (84%).
A sensação de risco impacta a vida profissional e acadêmica, com 45% das mulheres relatando que deixaram de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo. Além disso, 44% já consideraram mudar de bairro ou cidade para obter mais segurança. No lazer, 62% mudaram hábitos e 58% deixaram de frequentar locais de preferência.
A diretora-executiva do Instituto Patrícia Galvão afirmou que a insegurança se tornou uma rotina de cálculos e renúncias silenciosas. Para a executiva, a situação mostra que a segurança feminina não é uma pauta setorial, mas uma condição para o exercício da cidadania, o que torna urgentes as políticas públicas de infraestrutura urbana e canais de denúncia.
Sobre a responsabilidade pelo enfrentamento da violência, 73% das entrevistadas citam as polícias Militar e Civil, seguidas pelos governos federal e estaduais (69%). Contudo, a avaliação do desempenho institucional é negativa, especialmente em relação ao Legislativo (74%), governos estaduais (72%), Judiciário (71%) e governo federal (71%).
Para 78% das mulheres, a existência de propostas de combate à violência e ao assédio nas ruas e no transporte público influenciará a decisão de voto. A pesquisa, que teve apoio da Uber, ouviu 1.500 pessoas de 16 anos ou mais em todas as regiões do país, entre 22 e 30 de abril de 2026, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.


