O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Na decisão, Mendonça cita nove vezes o ministro Alexandre de Moraes e afirma ter sido alvo de monitoramento ilegal por meio de seis relatórios de inteligência apócrifos.
Segundo o magistrado, os documentos foram produzidos sem conformidade técnica com o objetivo de fundamentar a inclusão de seu nome no Inquérito das Fake News, relatado por Moraes há mais de sete anos. Mendonça argumentou que a PF teria agido para “bisbilhotar” e “fichar” cidadãos, citando inclusive votos anteriores do próprio Moraes para classificar a conduta como “arapongagem institucional”.
O texto menciona que Moraes teria tido ciência da existência desses relatórios antes de sua circulação oficial. Mendonça utilizou a decisão para listar precedentes de afastamento de autoridades, como os casos do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do ex-presidente do Ibama, Eduardo Bim, para justificar a legalidade da suspensão cautelar de função pública.
O embate entre os dois ministros intensificou-se após Mendonça retirar o sigilo de um relatório com mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes durante a crise do Banco Master. Em resposta, Moraes solicitou a investigação de Mendonça por supostos crimes cometidos na condução de inquéritos.
O presidente do STF, Edson Fachin, que agora relata o procedimento envolvendo os relatórios de inteligência, afirmou que a resposta aos fatos será “firme e rigorosa”, mas sem precipitação. Fachin abriu prazo para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues prestem esclarecimentos.

