O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou nesta terça-feira (8) o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A decisão suspende a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência da corporação sobre a atuação funcional de ministros da Corte.
Mendonça comparou a elaboração e a divulgação desses relatórios ao cenário descrito por George Orwell no livro 1984. Para o ministro, a produção dos documentos, o conhecimento prévio do ministro Alexandre de Moraes sobre o material e a posterior divulgação revelam fatos de extrema gravidade.
O magistrado afirmou que a situação gera repercussões institucionais e afeta a segurança e a integridade pessoal de integrante do STF e de outras autoridades públicas. Mendonça declarou que foi alvo de monitoramento e coleta dirigida de informações pela PF por pelo menos 30 dias durante o mês de agosto, atingindo também o advogado-geral da União.
A medida ocorre no contexto de um conflito entre Mendonça e Moraes. No dia 1 de setembro, Mendonça retirou o sigilo de investigações da PF que indicavam proximidade entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Master, no âmbito do Caso Master.
Em resposta, Moraes solicitou a abertura de uma investigação contra Mendonça, baseando-se em um documento da PF sem caráter probatório sobre assimetrias em medidas adotadas contra políticos. Mendonça classificou esse relatório, apresentado por Moraes à presidência do STF, como tecnicamente frágil e um “nada jurídico”.

