O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quinta-feira (3) que deixou a sociedade do Instituto Iter. A entidade, fundada pelo magistrado e voltada à área da educação, será transformada em instituição sem fins lucrativos.
O gabinete do ministro informou, em nota, que a saída ocorreu sem qualquer contrapartida financeira. Mendonça cedeu a totalidade de suas cotas e as de sua esposa, que serão destinadas a fins sociais e educacionais. Segundo o texto, o ministro jamais auferiu lucro do instituto, criado em 2024.
A decisão foi tomada no dia 2 de setembro, após conversa com o presidente da organização, Victor Godoy. O magistrado permanecerá vinculado à instituição apenas para a prestação de serviços acadêmicos como professor.
O anúncio ocorre um dia após Mendonça declarar que se reuniu uma única vez, em março de 2025, com o banqueiro Daniel Vorcaro. Na ocasião, o encontro teria tratado de uma ação sobre créditos de precatórios de interesse do banco, que estava com pedido de vista de outro ministro. Mendonça afirmou que se limitou a ouvir o empresário.
A reunião aconteceu antes de o ministro se tornar relator do caso Master na Corte, fato ocorrido em fevereiro de 2026. O gabinete informou que também atendeu o advogado do empresário no mesmo mês de 2025 e que mantém os registros dos memoriais escritos recebidos.
Informações da imprensa local indicam que mensagens extraídas do celular do dono do Banco Master mostram que o advogado Ciro Rocha Soares teria articulado o encontro. Em conversas de fevereiro de 2025, o defensor afirmou que Mendonça queria receber Vorcaro e mencionou que o magistrado sabia de situações envolvendo o Banco Central.

