O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou nesta terça-feira (1º) o sigilo da Petição 16.662, que contém mensagens, contratos e registros de encontros entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes, além de pessoas do seu entorno.
O material inclui um relatório de 218 páginas elaborado pela Polícia Federal (PF) após a análise do celular de Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reproduz diálogos com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, cujo número teria sido compartilhado com o banqueiro em dezembro de 2023.
Entre os arquivos tornados públicos, a PF anexou a íntegra das conversas e um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Advogados, ligado a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa o pagamento líquido de R$ 108 milhões em 36 meses. Há também documentos de um contrato com a Viking Participações envolvendo a transferência de ativos no valor de R$ 50 milhões.
A apuração indica que o relatório foi produzido em 72 horas, prazo determinado por Mendonça para identificar a rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF informou que a análise não é exaustiva e que parte das mensagens foi enviada via recurso de visualização única do WhatsApp, o que impediu a reconstrução integral de alguns diálogos.
A operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi preso na primeira fase da ação, no dia 18 de novembro de 2025. O relatório final foi entregue ao STF em 27 de agosto de 2026.
O caso deverá ser analisado pelo plenário do STF. O ministro Mendonça também abriu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os autos. Procurados, o ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam até a publicação.


