O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou ao plenário, neste domingo (6), o relatório da Polícia Federal que indica uma possível ligação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, suspeito de liderar fraudes bilionárias no sistema financeiro.
A decisão cabe agora ao presidente do STF, Edson Fachin. Ele deve definir se o caso será analisado pelo plenário e se a sessão ocorrerá de forma pública ou em reunião reservada. Fachin estabeleceu prazo até sexta-feira (11) para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, esclareçam os fatos.
O imbróglio começou no dia 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de mensagens extraídas do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero. O conteúdo sugere a existência de privilégios e luxos oferecidos à família de Moraes e custeados pelo ex-banqueiro, dono do Banco Master.
Em resposta, Moraes enquadrou Mendonça no inquérito das fake news na quinta-feira (3). O ministro solicitou a Fachin que seja apurada a conduta de Mendonça nas Operações Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, e Compliance Zero, acusando o colega de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
Segundo Moraes, a atuação de Mendonça na relatoria dessas operações apresenta indícios de irregularidades e eventual favorecimento de grupos políticos. Na sexta-feira (4), Fachin determinou que o pedido de investigação contra Mendonça fosse retirado do inquérito das fake news e incluído em uma petição aberta para apurar os indícios contra Moraes.

