O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), justificou nesta segunda-feira (14) a decisão de intimar pessoalmente delegados da Polícia Federal (PF) em agosto. A medida ocorreu para identificar destinatários de mensagens de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que citavam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Mendonça afirmou que a ação foi tomada “por cautela” para garantir a preservação do sigilo e a eficiência das investigações, sem imputar suspeitas a qualquer envolvido. O relatório resultante dessa solicitação é o centro de uma crise no STF, pois a PF identificou o ministro Alexandre de Moraes como um dos interlocutores de Vorcaro.
Em uma das mensagens analisadas, o fundador do banco questiona se seria possível reverter determinada situação com Paulo Gonet e Andrei Rodrigues. Vorcaro foi preso em novembro do ano passado durante a Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master, e voltou a ser detido em março deste ano.
O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Mendonça, Moraes, Gonet e Rodrigues prestassem informações antes da sessão plenária desta terça-feira (15). O encontro definirá se o ministro Alexandre de Moraes será investigado com base no conteúdo do relatório da PF.
Na manifestação, Mendonça explicou que a identificação dos interlocutores era necessária para esclarecer a existência de uma rede de influência e monitoramento controlada por Vorcaro. Segundo o ministro, a apuração da PF indicou que essa estrutura teria potencial de infiltração em instâncias elevadas de instituições da República.
O magistrado detalhou que tal rede permitia a Vorcaro obter informações sigilosas para orientar negociações econômicas de “higidez duvidosa”. O texto menciona ainda que os dados poderiam servir para a elaboração de um plano de fuga caso as atividades criminosas fossem descobertas por autoridades investigativas.

