O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou irregularidades na condução da apuração que identificou o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de diálogos com o banqueiro Daniel Vorcaro. A manifestação foi enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, às vésperas da sessão de plenário desta terça-feira (15).
Mendonça, relator do caso Master, afirmou em ofício que a determinação para a Polícia Federal (PF) identificar as pessoas mencionadas no documento ocorreu para preservar o sigilo e a eficiência das investigações. O ministro declarou que não realizou investigação contra Moraes, mas solicitou informações atualizadas sobre uma suposta rede de influência e monitoramento mantida por Vorcaro.
A controvérsia surgiu após Mendonça retirar o sigilo, no início de setembro, de um relatório da PF. O documento detalha 52 mensagens distribuídas em 13 diálogos, incluindo conversas às vésperas da prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro do ano passado no Aeroporto Internacional de São Paulo. Entre as mensagens, há questionamentos sobre a necessidade de o banqueiro deixar o país.
Em defesa enviada a Fachin, Alexandre de Moraes classificou a ação de Mendonça como “inconstitucional e ilegal”, alegando que a medida foi motivada por “vingança”. Moraes negou ter favorecido o dono do Banco Master e afirmou que a PF tenta atribuir a ele textos que, na verdade, estavam no bloco de notas do celular de Vorcaro.
Moraes argumentou que não houve vazamento de informações, citando que a prisão do banqueiro ocorreu na alfândega do aeroporto com passaporte verdadeiro, o que facilitou a apreensão do aparelho. Segundo o ministro, a conduta de Mendonça apresenta um “flagrante desvio de finalidade político eleitoral”.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se previamente pela anulação do relatório, sob a tese de que Mendonça extrapolou suas funções. O plenário do STF analisa agora a possibilidade de abertura de investigação envolvendo Moraes.


