O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (11) que já disponibilizou todas as provas relacionadas ao inquérito do Banco Master. Mendonça rebateu a alegação do ministro Alexandre de Moraes de que houve seletividade na liberação de dados, justificando que eventuais divergências numéricas no sistema digital não indicam omissão de peças.
A resposta de Mendonça ocorre após ofício enviado por Moraes, nesta sexta-feira, apontando que 180 documentos não teriam sido publicados. O ministro Mendonça declarou que não existe exatidão entre as peças inseridas no sistema digital e as provas efetivamente liberadas, mas que todas as informações necessárias para o julgamento de 15 de setembro já foram publicadas.
Mendonça argumentou que não pode disponibilizar dados que comprometam novas etapas de investigações em curso, conforme solicitação do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, nem fornecer informações exclusivamente pessoais que afetem a privacidade dos investigados. O julgamento do dia 15 analisará menções a Moraes em conversas com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Em contrapartida, Alexandre de Moraes acionou Fachin afirmando que Mendonça estaria diretamente interessado no julgamento e pediu a inclusão na pauta de um pedido para investigar o colega por abuso de autoridade. Moraes solicitou a retirada imediata de todo o sigilo do caso Master e a intimação de todos os juízes e ministros citados na investigação.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também solicitou a apresentação de todas as provas antes da sessão. Em resposta, o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, estabeleceu um prazo de 24 horas para que Mendonça levante o sigilo de todas as peças processuais.
A crise entre os ministros começou em 1º de setembro, quando Mendonça divulgou relatório da Polícia Federal sobre contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O imbróglio envolveu ainda decisões conflitantes sobre o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e a relatoria do inquérito das fake news, da qual Moraes foi removido por decisão de Fachin.


