O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta sexta-feira (11) o sigilo de processos que investigam o Banco Master, incluindo a captação de recursos para o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão atendeu a um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) e liberou 21 inquéritos adicionais.
A Polícia Federal (PF) aponta Flávio Bolsonaro como o interlocutor entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a produção da obra. Dados extraídos do celular de Vorcaro mostram que ele classificou o pagamento do filme como o “mais importante disparado”, afirmando em mensagem de janeiro de 2025 que não poderia haver falhas no cumprimento da obrigação.
O contrato para o financiamento da obra era estimado em US$ 24 milhões (cerca de R$ 122 milhões). Segundo a investigação, o repasse efetivamente realizado por Vorcaro atingiu US$ 12,3 milhões (R$ 62,3 milhões). O dinheiro teria sido administrado posteriormente pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
As evidências incluem cobranças feitas por Thiago Miranda, então dono do portal Leo Dias, que questionou Vorcaro sobre a primeira parcela do aporte. Miranda teria enviado capturas de tela com mensagens de Flávio Bolsonaro cobrando respostas do setor jurídico do investidor.
A abertura dos autos também expõe outras frentes da Operação Compliance Zero. Entre elas, a atuação do senador Ciro Nogueira no Congresso em favor do Banco Master, com indícios de repasses financeiros negados pelo parlamentar, e investigações sobre Jaques Wagner.
Outro ponto central é a apuração de uma transferência de R$ 3,6 bilhões realizada pelo Rioprevidência ao Banco Master durante a gestão do ex-governador do Rio, Cláudio Castro. A medida ocorreu após o presidente do STF, Edson Fachin, determinar que o relator enviasse a íntegra dos autos à Presidência da Corte e aos demais gabinetes.

