O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo das investigações sobre o Banco Master que detalham a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O caso será liberado para apreciação do plenário da Corte e cita também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A apuração da Polícia Federal (PF) indica que Moraes teria lido e alterado o contrato do escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master. O acordo era de R$ 131 milhões. Outro contrato de R$ 50 milhões previa o pagamento de R$ 40 milhões por meio da transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero para o escritório de advocacia.
Mensagens trocadas entre as partes revelam que Vorcaro utilizava blocos de notas com visualização única para enviar conteúdos que Moraes apagava. Em 14 de novembro de 2025, o ex-banqueiro escreveu que tinha “gratidão da minha vida” ao ministro e que sua família e parceiros tinham uma “divida de vida” com ele. Vorcaro teria tentado negociar a instituição com investidores estrangeiros e buscado conter operações da PF contra ele.
O relatório menciona que Vorcaro teria solicitado a Moraes que reforçasse com “Andrei e Paulo” para evitar ações contra si, em referência ao diretor-geral da PF e ao PGR. A PF localizou conversas entre o advogado Ciro Soares e Vorcaro sobre uma viagem a Londres com despesas pagas pelo grupo, citando a ida de Gonet e de seu filho, Pedro Gonet.
A PF ponderou que não há contato salvo com o nome de Paulo Gonet na agenda de Vorcaro, e as menções surgiram em conversas de terceiros. Sobre Andrei Rodrigues, mensagens de abril de 2024 tratam de convites para um evento. O relatório registra que também não havia o contato de Rodrigues salvo no aparelho do ex-banqueiro.
Em nota, o escritório de Barci de Moraes afirmou que o setor de compliance consultou Alexandre de Moraes sobre impedimentos legais para a contratação, dado que ele é marido da sócia diretora. O texto diz que o contrato foi assinado após a constatação de que o ministro jamais julgou causas envolvendo o Banco Master e que os serviços foram prestados.

