Mulheres que entram na menopausa precocemente apresentam um declínio mental geral mais acelerado e diagnóstico da doença de Alzheimer em idade mais jovem, segundo estudo publicado na revista científica JAMA Network Open. A pesquisa acompanhou 2.603 participantes por até 18 anos para analisar a relação entre a idade da menopausa e a estrutura cerebral.
Os dados revelam que entrar na menopausa 10 anos mais cedo equivale a cerca de 1,8 ano a menos livre da doença de Alzheimer na idade média de diagnóstico. O declínio foi observado especialmente na memória episódica, que é a capacidade de recordar experiências e eventos pessoais.
A análise aponta que a perda do estrogênio, hormônio ovariano essencial para a função cerebral e controle da inflamação, retira a proteção do organismo. Mulheres na faixa dos 60 anos possuem quase o dobro da probabilidade de desenvolver Alzheimer em comparação aos homens, diferença que não é explicada apenas pela maior longevidade feminina.
Durante o monitoramento, 774 mulheres passaram por ressonâncias magnéticas de alta resolução e 1.287 que morreram doaram os cérebros para análise de tecido. Os exames de imagem mostraram que a menopausa natural precoce está associada a um acúmulo mais rápido de hiperintensidades da substância branca, que são manchas indicativas de desgaste nas vias cerebrais.
Em um período de 10 anos, mulheres que entraram na menopausa natural cinco anos antes de outras com perfil semelhante apresentaram um volume de hiperintensidades 15% maior. O estudo observou que esse dano ocorreu especificamente em casos de queda gradual dos hormônios, e não em quedas abruptas causadas por cirurgias.
Os pesquisadores utilizaram dados do Religious Orders Study e do Rush Memory and Aging Project para preencher a lacuna sobre como a estrutura cerebral evolui nas décadas seguintes à menopausa. Os resultados indicam que a meia-idade é um período crítico para intervenções médicas e planos de tratamento personalizados para mulheres em risco de doenças neurodegenerativas.

