Mulheres que entram na menopausa mais cedo podem apresentar uma trajetória de envelhecimento cerebral menos favorável décadas depois, segundo estudo publicado na Jama Network Open em agosto. A pesquisa acompanhou 2.603 mulheres por até 18 anos e associou a idade da transição hormonal a mudanças na estrutura e na função do cérebro.
O principal achado refere-se às hiperintensidades da substância branca, áreas claras detectadas em ressonâncias magnéticas. Entre mulheres com menopausa espontânea, uma diferença de cinco anos na idade do evento está associada a um aumento de 15% no volume dessas alterações ao longo de uma década. A substância branca é composta por fibras nervosas que conectam regiões cerebrais e atuam na memória, atenção e movimento.
Quanto mais cedo ocorreu a menopausa espontânea, maior foi a velocidade de acúmulo dessas alterações. A associação persistiu mesmo após a análise de fatores como escolaridade, pressão arterial, índice de massa corporal e idade. Mulheres com transição precoce apresentaram declínio mais acelerado da cognição global e da memória episódica, utilizada para recordar experiências pessoais.
Houve também correlação com a idade do diagnóstico de Alzheimer. O modelo utilizado indicou que uma diferença de dez anos na idade da menopausa associou-se a um diagnóstico da doença cerca de 1,8 ano antes. A idade média de diagnóstico entre as participantes foi de 88,4 anos.
Os autores explicam que a queda do estrogênio, hormônio que regula a inflamação e o metabolismo energético cerebral, pode contribuir para o processo. Outra hipótese considerada é que um envelhecimento biológico acelerado possa causar tanto a menopausa precoce quanto as alterações cerebrais.
A análise combinou dados do Religious Orders Study e do Rush Memory and Aging Project. Das participantes, 774 realizaram exames de ressonância repetidos. Enquanto o acúmulo de hiperintensidades foi evidente na menopausa espontânea, as associações com declínio cognitivo e Alzheimer foram mais pronunciadas em mulheres que passaram por menopausa cirúrgica.
O estudo é observacional e não estabelece relação de causa e efeito, nem conclui se a modificação dos níveis de estrogênio evitaria as alterações. Os pesquisadores apontam limitações, como o fato de a idade da menopausa ter sido informada pelas próprias participantes e as características demográficas do grupo analisado.

