Mensagens e metadados recuperados pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelam tentativas do banqueiro de influenciar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para evitar a liquidação da instituição e sua prisão.
O material indica que Vorcaro procurou Moraes repetidas vezes antes de ser detido em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo. Em mensagens enviadas nos dias 14, 15 e 16 de novembro, o ex-banqueiro questionou sobre a possibilidade de “bloquear” a medida de prisão e indagou se o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, conhecia a situação.
A investigação aponta a existência de ao menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro entre fevereiro de 2024 e abril de 2025. O primeiro teria ocorrido na casa do ex-ministro Fábio Faria. Documentos também citam reuniões em Campos do Jordão. A PF afirma que Vorcaro enviou 12 capturas de tela relacionadas a esses encontros, embora não haja confirmação independente de todas as reuniões.
A PF identificou que Moraes editou a minuta de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo vigorou de fevereiro de 2024 até a liquidação do banco em novembro de 2025. O escritório afirmou que Moraes foi consultado apenas para verificar impedimentos legais à contratação.
Houve ainda uma segunda proposta de R$ 50 milhões, que previa o pagamento de R$ 40 milhões via cotas de um jatinho Legacy 650 e de um helicóptero. O escritório de Viviane Barci de Moraes declarou que essa proposta não foi aceita e que nenhum segundo contrato foi assinado. Moraes classificou anteriormente associações de seu nome a diálogos semelhantes como “ilação mentirosa”.
Em trechos analisados, Vorcaro solicitou que Andrei Rodrigues fosse “sensibilizado” para adiar uma ação da PF, visando impedir a quebra do banco. Ele também mencionou que Moraes chamaria Paulo Gonet para “dar um aperto” enquanto tentava vender parte do Master ao Banco de Brasília (BRB). Não há provas de que as intervenções tenham sido realizadas.
O relatório cita ainda que Pedro Gonet, filho do procurador-geral da República, teria pedido para participar de um fórum jurídico em Londres com despesas pagas por Vorcaro. O advogado Ciro Soares atuou como intermediário. O advogado afirmou que não há ilegalidade em custear a participação de palestrantes em eventos abertos ao público.

