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Mercado de títulos dos Estados Unidos entra em zona de alerta

Carla Fernandes
Última atualização: 2 de setembro de 2026 21:26
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

O rendimento do título do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos atingiu, nesta quarta-feira (2), o maior nível em quase três anos. O movimento reflete a escalada da guerra com o Irã, a alta dos preços de energia, pressões inflacionárias e o crescimento da dívida pública do país.

A elevação dos rendimentos aumenta o custo de financiamento para consumidores, empresas e para o próprio governo federal. O cenário amplia a pressão sobre o Federal Reserve (Fed), que pode considerar novos aumentos nas taxas de juros para controlar a inflação. O presidente do banco central americano, Kevin Warsh, informou que novas altas podem ser necessárias se a inflação não convergir para a meta de 2%.

A turbulência atinge outras economias desenvolvidas. Na Alemanha, a taxa dos títulos de dez anos chegou ao maior nível desde 2011, enquanto no Reino Unido o rendimento dos papéis de 30 anos atingiu o patamar mais alto desde 1998. No Japão, o título de dez anos superou 3% pela primeira vez desde 1996.

O conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado no fim de fevereiro, afeta o fluxo de energia no Oriente Médio. Segundo a AAA, agosto registrou a gasolina mais cara da história dos Estados Unidos, e o preço do diesel subiu 51% desde o começo da guerra. A alta dos combustíveis impacta custos de transporte e aviação.

Investidores também demonstram preocupação com a trajetória fiscal. A dívida nacional ultrapassou US$ 40 trilhões em agosto, conforme dados do Tesouro americano. No ano fiscal atual, o governo gastou US$ 931 bilhões com juros líquidos da dívida, valor superior aos US$ 804 bilhões destinados à defesa nacional.

A rentabilidade maior dos títulos do Tesouro, considerados ativos de baixo risco, torna esses papéis mais competitivos em relação ao mercado acionário. O movimento afeta principalmente empresas de tecnologia negociadas com avaliações elevadas.

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