Milhares de pessoas se reuniram em frente a uma igreja em Belgrado, nesta segunda-feira (7), para o funeral do ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic. O militar faleceu na semana passada enquanto cumpria pena de prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante os conflitos nos Bálcãs.
Apoiadores carregaram bandeiras e fotos de Mladic, acendendo velas antes do enterro. Para facilitar o deslocamento, foram disponibilizados ônibus gratuitos partindo da Bósnia e de diversas cidades sérvias. O caixão foi guardado por seis homens, em sua maioria veteranos de guerra, enquanto a família recebia condolências no interior do templo.
Mladic foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas para a ex-Iugoslávia por seu papel no massacre de Srebrenica, em 1995, onde cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos bósnios foram mortos. O ex-general também foi responsabilizado pelo cerco de 43 meses a Sarajevo, que resultou na morte de aproximadamente 10 mil pessoas.
A repercussão do óbito causou atritos diplomáticos. A comissária de Ampliação da União Europeia, Marta Kos, adiou a visita à Sérvia após criticar a glorificação do ex-militar, citando inclusive o uso de aeronave do governo para o traslado do corpo. O presidente sérvio, Aleksandar Vucic, rejeitou as críticas, mas não confirmou presença na cerimônia.
Em Sarajevo, a homenagem despertou indignação. Zdravka Gvozdjar, farmacêutica aposentada que perdeu o filho de 9 anos durante o cerco à cidade, afirmou que Mladic deveria ser lembrado como um carniceiro e não promovido como herói. Mais de 1 mil crianças morreram durante o cerco liderado pelas forças do general.
A cerimônia foi conduzida pelo Patriarca da Igreja Ortodoxa Sérvia ao meio-dia. O corpo será enterrado em um cemitério próximo, ao lado da filha do ex-general, morta em 1994.

