O ministro da Cultura de Israel, Miki Zohar, anunciou neste domingo (13) a intenção de retirar a nacionalidade dos jornalistas Yuval Abraham e Rachel Szor. Os realizadores do documentário “NAZA” são acusados de traição ao Estado após a obra, que apresenta depoimentos de militares sobre ataques a civis em Gaza, vencer o prêmio especial do júri no Festival de Veneza.
O filme apresenta relatos de 24 membros das forças israelenses. Eles descrevem a realização de bombardeios contra civis palestinos na Faixa de Gaza com o apoio de dispositivos baseados em inteligência artificial. O título da obra refere-se ao eufemismo usado pela inteligência israelense para estimar o número de mortes civis em ataques.
Zohar declarou, em publicação no X, que agirá para revogar a cidadania dos criadores, a quem chamou de desprezíveis. O ministro afirmou que os jornalistas pretendem prejudicar a pátria para receber aplausos de antissemitas em todo o mundo.
A retirada de nacionalidade é legalmente possível em Israel, embora incomum. Em 2022, a Suprema Corte ratificou a medida para casos de falta de lealdade, como espionagem ou traição, e a lei foi ampliada em 2023 para incluir condenações por terrorismo. O processo exige solicitação do ministro do Interior, aprovação do ministro da Justiça e validação do Judiciário.
O exército israelense rejeitou as acusações e criticou o uso de depoimentos anônimos, alegando que as identidades dos denunciantes não podem ser verificadas.
Desde outubro de 2023, os bombardeios em Gaza causaram mais de 73 mil mortes de palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, com dados considerados confiáveis pela ONU. A ofensiva começou após um ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou 1.221 pessoas.

