Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) alertaram o presidente da Corte, Edson Fachin, nesta quinta-feira (10), sobre a possibilidade de um pedido de vista interromper o julgamento marcado para a próxima terça-feira (15). A sessão extraordinária analisará suspeitas contra Alexandre de Moraes citadas em relatório da Polícia Federal com mensagens de Daniel Vorcaro.
Os alertas ocorreram durante rodada de consultas individuais conduzida por Fachin. O presidente do STF recebeu os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin, além de conversar com a ministra Cármen Lúcia e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Durante as reuniões, um grupo alinhado a Moraes defendeu que as suspeitas envolvendo Mendonça também sejam analisadas pelo plenário em conjunto. A avaliação é que ambos os episódios integram a mesma crise e que uma decisão unificada evitaria que a Corte decidisse sobre apenas uma das frentes do embate.
Atualmente, os casos seguem ritmos diferentes. O relatório com as mensagens de Vorcaro já tem data para análise, enquanto os relatórios de inteligência da PF sobre possível crime de responsabilidade de Mendonça ainda não foram pautados. Fachin indicou que decidirá o destino desta segunda frente após receber informações de Mendonça, com prazo até o dia 21.
Para os defensores da análise conjunta, o calendário atual pode levar o Supremo a se pronunciar sobre Moraes antes de definir como tratar os questionamentos contra Mendonça. Um eventual pedido de vista na terça-feira poderia abrir esse intervalo necessário para a inclusão do segundo caso no colegiado.
As conversas aconteceram um dia após Fachin anunciar medidas para reduzir a tensão na Corte, incluindo a suspensão de procedimentos contra integrantes do tribunal e a revogação da designação de Moraes para conduzir o inquérito das fake news. A sessão do plenário prevista para esta quinta-feira foi cancelada por falta de ambiente para a realização dos trabalhos.

