Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) articulam o adiamento da sessão marcada para a próxima quarta-feira (23), na qual o plenário deve decidir sobre a abertura de investigação contra o ministro André Mendonça. A movimentação ocorre após sessões tensas e a tentativa de evitar que a crise institucional seja utilizada politicamente a 20 dias das eleições.
A possibilidade de adiamento ganhou força após o pedido de vista do ministro Flávio Dino em processo envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Pelo regimento interno, Dino tem até 90 dias para devolver os autos, prazo que permitiria deslocar o debate para depois do período eleitoral. Na última terça-feira (15), o magistrado classificou a sessão anterior como “desastrosa” e afirmou que o tribunal estava se expondo excessivamente próximo ao pleito.
Nos bastidores, magistrados avaliam que a solução institucional ficou mais distante após os embates ocorridos nesta semana. A preocupação central é evitar a espetacularização do STF. Até o momento, o presidente da Corte, Edson Fachin, mantém a data na pauta, mas o despacho indica apenas que a análise deve ser incluída na sessão ordinária, o que permite que Fachin mantenha a reunião sem necessariamente chamar o caso de Mendonça para votação.
O cenário de instabilidade no Judiciário é monitorado por equipes políticas. Aliados do Partido Liberal (PL) veem na crise do Supremo chances de contestar condenações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Paralelamente, a equipe econômica do governo Lula busca minimizar o impacto da instabilidade institucional nas expectativas do mercado.
Em outra frente, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano em decisão unânime nesta quarta-feira (16). Esta foi a quinta redução consecutiva. No documento, o comitê mencionou o aumento da incerteza e a desancoragem de expectativas para classificar o cenário econômico atual, reiterando a necessidade de cautela na condução da política monetária.


