Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) organizaram um grupo para impedir a abertura de investigações contra Alexandre de Moraes. A frente, composta por Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, busca evitar que a Corte avalie indícios de uma relação entre o ministro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Um relatório da Polícia Federal (PF), produzido a pedido do ministro André Mendonça, revela mensagens em que Vorcaro pergunta a Moraes se deveria deixar o Brasil antes de ser preso. O banqueiro também solicitou a intercessão do magistrado junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF. O documento indica que Moraes editou um contrato de R$ 131 milhões entre o banco e o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Nos dias anteriores à sessão de terça-feira (15), Gilmar Mendes enviou mensagens a colegas para tentar influenciar decisões ligadas ao caso. Mendes cobrou Luiz Fux por um voto favorável a uma liminar de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da direção da PF. Em conversa com Kassio Nunes Marques, Mendes afirmou que ele e Fux eram submissos a Mendonça e exigiu que o colega deixasse processos do Banco Master e a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Nunes Marques se declarou impedido de votar a investigação contra Moraes após a PF encontrar mensagens citando o pagamento de R$ 500 mil ao seu filho, o advogado Kevin Marques. O ministro negou ter recebido recursos ou votado casos de interesse do banco, mas justificou o afastamento por possíveis repercussões eleitorais enquanto preside o TSE. O relatório da PF também menciona Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, que teria recebido ajuda de Vorcaro em processos e ingressos para o desfile das escolas de samba no Rio de Janeiro em fevereiro de 2025.
Durante a sessão do dia 15, Flávio Dino propôs juntar a investigação contra Moraes e a contra André Mendonça em uma única deliberação. A manobra consumiu o tempo de debate e evitou a discussão do mérito dos indícios da PF. Na ocasião, Gilmar Mendes chamou Mendonça de “boneco eleitoral” e classificou como “covarde” e “vil” a solicitação do relatório policial. Dino afirmou que Luiz Fux e Kassio Nunes Marques são citados em diálogos de Vorcaro, acusação negada por Fux.

