Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a criticar a retirada parcial do sigilo das investigações do Caso Master, realizada pelo ministro André Mendonça. O grupo argumenta que a manutenção de sigilo sobre certas autoridades gera desequilíbrio e pressiona para que o julgamento de terça-feira (15) não se limite às suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes.
Os ministros citam como exemplo um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens e detalhes da relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, informações que permaneceram sob sigilo e foram reveladas pela imprensa local nesta quinta-feira (10). A revelação intensificou a pressão sobre o formato da sessão extraordinária convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Há defesas internas para que os questionamentos sobre Moraes e um relatório que aponta irregularidades na condução de Mendonça sejam analisados juntos. Para esse grupo, o plenário não deve dar uma resposta definitiva apenas ao capítulo de Moraes enquanto pendem questões surgidas nas investigações do Caso Master.
A sessão de terça-feira analisará o relatório da PF com mensagens atribuídas a Vorcaro e referências a Moraes. A Presidência do STF disponibilizou aos gabinetes a íntegra da Petição 16.662. No entanto, os questionamentos sobre Mendonça seguem outro calendário, e relatórios de inteligência da PF sobre suposta parcialidade do ministro ainda não têm data para chegar ao plenário.
Fachin indicou que decidirá o destino dessa frente após receber informações solicitadas a Mendonça. Essa diferença de prazos é um dos pontos centrais do questionamento de parte do tribunal, que defende a análise conjunta das condutas antes de qualquer conclusão definitiva da Corte.
Nesta quinta-feira, o presidente do STF ouviu individualmente os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin. Fachin também conversou com a ministra Cármen Lúcia e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo interlocutores, o presidente adotou postura de escuta e não antecipou sua posição sobre as ponderações apresentadas.

