Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a criticar a retirada parcial do sigilo das investigações do caso Master, conduzida pelo ministro André Mendonça. O grupo argumenta que a manutenção de segredo sobre certas autoridades gera desequilíbrio e defende que o julgamento de terça-feira (15) não se limite às suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes.
Os ministros citam como exemplo a permanência de sigilo em um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens e detalhes da relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli. As informações foram reveladas pela imprensa local nesta quinta-feira (11). A revelação reforça, para esse grupo, que o plenário não deve dar resposta definitiva apenas ao capítulo de Moraes enquanto outras questões do caso Master permanecem pendentes.
A pressão recai sobre a sessão extraordinária convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Ministros alertaram o presidente sobre a possibilidade de um pedido de vista interromper o processo. A ala crítica defende que as suspeitas sobre Moraes e um relatório que aponta irregularidades na condução dos inquéritos por Mendonça sejam analisados juntos.
Atualmente, os processos seguem calendários diferentes. A Petição 16.662, que reúne mensagens de Vorcaro e referências a Moraes, está pautada para o dia 15. Já os relatórios de inteligência da PF que apontam suposta parcialidade e eventual crime de responsabilidade de Mendonça não têm data para chegar ao plenário. Fachin indicou que decidirá o destino dessa frente após receber informações solicitadas ao ministro.
Nesta quinta-feira, o presidente do tribunal ouviu individualmente os ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin. Fachin também se reuniu com a ministra Cármen Lúcia e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo interlocutores, o presidente adotou postura de escuta e não antecipou sua posição sobre as ponderações apresentadas.

