Uma ala de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defende que a abertura de investigações sobre os magistrados Alexandre de Moraes e André Mendonça seja analisada apenas após as eleições de 2026. O grupo argumenta que a disputa adquiriu dimensão política e eleitoral, o que poderia ampliar a repercussão do conflito se decidida agora.
O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, determinou que as partes envolvidas apresentem informações sobre os episódios até 21 de setembro. A data coincide com a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para outubro. Ministros ouvidos sob reserva afirmam que o tom político do caso se intensificou após as manifestações de 7 de setembro, que incluíram críticas a Moraes e apoio a Mendonça.
A divergência interna divide a Corte. Integrantes próximos a Moraes defendem a postergação da análise e que os dois episódios que originaram a crise sejam avaliados de forma conjunta. Já no entorno de Fachin, a avaliação é de que a gravidade das acusações impede que o tribunal deixe os questionamentos sem resposta imediata.
O primeiro caso sob análise envolve um relatório sigiloso da Polícia Federal (PF) sobre mensagens enviadas pelo empresário Daniel Vorcaro a Moraes. Até 14 de setembro, Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor afastado da PF, Andrei Rodrigues, devem prestar esclarecimentos. Fachin quer verificar se as regras de foro por prerrogativa de função foram respeitadas e se houve vazamento de informações.
O segundo episódio trata de um pedido de investigação de Moraes contra Mendonça, baseado em um relatório de inteligência. Moraes sustenta que o documento indica possíveis práticas de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento de grupos políticos nos casos Master e INSS. A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisará a legalidade do material.
Após a manifestação da PGR, Mendonça terá até 21 de setembro para apresentar informações. A definição dos próximos passos caberá a Fachin, que afirmou pretender adotar as medidas necessárias no momento considerado adequado. Moraes ainda não se manifestou publicamente sobre o assunto.


