A disputa pelo conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, elevou a tensão entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) antes do julgamento da Petição nº 16.662, marcado para esta terça-feira (15). O impasse envolve o acesso à íntegra de dados que incluem supostas mensagens entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes.
Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram à Polícia Federal (PF) o acesso total às informações extraídas do aparelho. No domingo (13), Zanin determinou que a PF encaminhasse os dados até as 23h, enviando a decisão também ao presidente da Corte, Edson Fachin. Para Zanin, o material é necessário para que todos os julgadores compreendam integralmente o caso, alegando que não deve haver restrição a quem está submetido ao dever de sigilo.
A movimentação ocorreu após o ministro André Mendonça se manifestar contra a disponibilização dos dados antes da sessão, afirmando que a divulgação poderia tumultuar o julgamento. Mendonça informou que possui cópias intactas do material em seu gabinete, mas que ainda não realizou a análise dos documentos.
A Polícia Federal informou ao STF que possui condições técnicas de fornecer cópias idênticas da extração aos gabinetes que solicitarem. A corporação esclareceu que os arquivos entregues a Mendonça em março deste ano não são os dados originais, que permanecem sob custódia da PF, mas sim uma cópia produzida em procedimento administrativo.
O aparelho, um iPhone 17 Pro, foi apreendido em 18 de novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. Agora, Alexandre de Moraes solicitou a Edson Fachin uma nova quebra de sigilo no caso, argumentando que elementos essenciais ao julgamento não foram tornados públicos por Mendonça.
Fachin encaminhou o pedido de Moraes à Procuradoria-Geral da República (PGR) e determinou que o órgão se manifeste com brevidade sobre a liberação dos dados a todos os ministros do Supremo.

