Sessenta e oito por cento dos moradores de Goiânia realizaram algum tipo de atividade extra para complementar ou obter renda nos últimos 12 meses, segundo a edição de 2026 da pesquisa Viver nas Cidades: Desigualdades e Mobilidade Social. O índice representa um crescimento de 14 pontos percentuais em relação a 2025, quando o número era de 54%.
O levantamento, realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) em parceria com a Ipsos-Ipec, indica que o aumento registrado na capital goiana foi o maior entre as dez capitais brasileiras analisadas. A média geral das cidades pesquisadas ficou em 61%. Em Goiânia, foram entrevistadas 300 pessoas com 16 anos ou mais, com margem de erro de seis pontos percentuais.
Os serviços gerais, que incluem faxina, reformas, manutenção e jardinagem, foram a atividade mais citada por 26% dos entrevistados, contra 19% no ano anterior. A venda de roupas e produtos usados cresceu de 11% para 15%, enquanto o trabalho via aplicativos de transporte e entregas subiu de 9% para 10%.
A apuração também registrou mudanças nos hábitos de consumo dos moradores, com aumento na compra de ovos e redução na aquisição de carnes, laticínios e produtos hortifrutigranjeiros. Os pesquisadores interpretam o movimento como a substituição de itens caros por alternativas mais acessíveis.
No cenário geral das dez capitais, a alimentação foi apontada por 47% dos participantes como o gasto que mais pesa no orçamento, seguida por moradia (27%) e saúde (11%). Sobre a renda pessoal nos últimos 12 meses, 31% dos entrevistados afirmaram que houve diminuição, 45% relataram estabilidade e 18% perceberam aumento.
A pesquisa abordou ainda a mobilidade social. Entre as capitais, 73% dos entrevistados alcançaram escolaridade superior à dos pais, mas apenas 46% declararam ganhar mais do que a geração anterior ganhava na mesma idade. O dado evidencia que a maior formação acadêmica não resultou em melhora proporcional de renda.


